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No último post, mencionei que a Retórica compõe as três artes liberais clássicas (trivium). Vamos explorar um pouco mais sobre esta vasta disciplina e como podemos utilizá-la em nosso dia-a-dia.

A editora Modern Scholar possui um curso chamado A Way With Words em que o professor Michael D.C. Drout do Wheaton College de Illinois (EUA), ensina escrita, retórica e a arte da persuasão. Recentemente comprei o curso em áudio e depois de estudá-lo, passei a pesquisar mais sobre o assunto, este post (e os próximos sobre o assunto), tem o objetivo de sintetizar o que venho aprendendo.

Retórica é sobre como fazer coisas com palavras. Diferente do que muitos imaginam, retórica não é algo bom ou ruim, não é uma arte apenas utilizada para manipular pessoas, mas também não é necessariamente algo necessariamente elevado. Podemos definir retórica como a arte de mudar o mundo através das palavras [1].

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Teoria dos Atos da Fala: Classificação dos Enunciados

A teoria da fala que teve seu início com o trabalho do filósofo inglês, John Langshaw Austin, nos mostra que a comunicação falada não é apenas informação, mas é também um tipo de ação performática[2].

Enunciados podem ser performativos ou não-performativos, para Austin, a performativos são aqueles que transformam o mundo alguma maneira, são aqueles que não podem ser tratados como verdadeiros ou falsos, mas como felizes ou infelizes, por que são parte de algum tipo de ação. Veja exemplos:

  • Eu os declaro marido e mulher.
  • Vá!
  • Você está Preso!
  • Eu te condeno a Morte.
  • Eu aceito.
  • Eu dedico esta música a minha esposa.
  • Declaro Guerra!
  • Eu me demito!
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Classificação dos Efeitos dos Atos da Fala

Austin divide os atos da fala em três partes:

Ato locutório

Ato de pronunciar um enunciado com mensagem que  ouvinte (interlocutor) compreende [2]. Em outras palavras é o que eu digo.

Ato ilocutório

Ato que o realizado pelo locutor quando pronuncia um enunciado em determinadas condições comunicativas e com intenções (ordenar, avisar, criticar, perguntar, convidar, ameaçar, etc.) Num ato ilocutório, a intenção comunicativa de execução vem associada ao significado de determinado enunciado, e a ação do do ouvinte (interlocutor). Em outras palavras é o que eu quero que o interlocutor faça.

Ato perlocutório

Corresponde aos efeitos que um dado ato ilocutório produz no interlocutor. Verbos como convencer, persuadir ou assustar ocorrem neste tipo de atos de fala, pois informam-nos do efeito causado no interlocutor. Em outras palavras é o que o interlocutor faz.

O Caso do Rei Henrique II

O professor Michael Drout, menciona a estória do Rei Inglês Henrique II, que em uma conversa disse: “Quem vai me livrar deste padre intrometido?“, alguns soldados ouviram e mataram o tal padre.

Esta foi a força perlocutória do ato, embora a intenção do Rei, não fosse que o padre fosse de fato morto.

A princípio, era um ato não-performativo, mas acabou por se tornar um ato performativo.  

Interessante, não é?

Fique ligado e acompanhe os próximos posts sobre Retórica.

Referências

1. A Way With Words, Michael D.C. Drout, Modern Scholar

2. Wikipedia – Atos da Fala 

3. Wikipedia – Performative Utterance

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