No artigo publicado na Harvard Business Review “Pipelines, Platforms, and the New Rules of Strategy”, os autores Marshall Alstyne, Geoffrey Parker e Sangeet Choudary, discutem porque negócios tradicionais chamados negócios pipeline estão ficando para trás graças ao aparecimento de Plataformas. Gostaria de recomendar a leitura e compartilhar alguns insights aqui com você.

Se voltarmos para 2007, a indústria de telefone era dominada por gigantes como Nokia, Samsung, Motorola, Sony Ericsson, e LG que detinham 90% dos lucros da indústria, nessa época a Apple não era nem sequer relevante nesse mercado. Em 9 anos, a Apple passou a ter 92% dos lucros do mercado, enquanto os anteriores não tiveram lucro algum. Wow!

Os autores atribuem a vitória da Apple a estratégia de ser uma plataforma e não apenas vender um aparelho de telefone como faziam seus rivais (pipeline).

Negócios como Plataformas unem Produtores e Consumidores, no caso da Apple, os desenvolvedores de aplicativos e os usuários, através da AppStore gerando valor para os dois lados.

Plataformas trazem novas Regras para o Jogo

Os autores afiram que as empresas que não se adaptarem as novas regras do jogo e transformarem seus negócios em plataformas não competirão no mercado por muito tempo, isso porque sempre que um negócio de plataforma entra num mercado que onde só há pipelines, a plataforma vence.

Como conceito a ideia de plataformas já existe há muito tempo, e vemos isso em Shopping Centers que unem comerciantes e consumidores, ou jornais que conectam assinantes com anunciantes. O fato é que agora a tecnologia tem potencializado demais o uso das plataformas em negócios de todos os tipos.

Pense no Alibaba, no Airbnb, na Netflix, na Amazon, no Uber, na Playstation, na Facebook, na Twitter, na Google, em tantas outras empresas que hoje se tornaram gigantes e fazem parte da nossa rotina diária.

Um negócio de Pipeline geralmente foca em uma série de atividades que através de uma cadeia de valor (supply-chain) entrega um produto ou serviço para um cliente.

Um negócio de plataforma muda o foco para conectar participantes em um ecosistemas que permite que seja gerado valor para ambos os lados, é um mercado de dois lados.

Para a plataforma o valor está mais nos produtores e consumidores do que no produto em si. É por isso que mesmo produtos em essência tão simples quanto WhatsApp e Instagram valem Milhões ou Bilhões de Dólares.

Enquanto Pipeline foca em aumentar vendas, Plataformas foram em potencializar a interação entre produtos e consumidores através da plataforma.

Plataformas trazem novos Desafios

Um grande desafio das plataformas é gerenciar a abertura para novos produtores mantendo a qualidade dos serviços/produtos consumidos pelos consumidores.

Por exemplo, o Uber precisa garantir que os motoristas prestem um serviço de qualidade, a Netflix que garante que o acervo vai agradar o assinante, o Twitter que os usuários não odeiem os anúncios apresentados, o Airbnb que a experiência de hospedagem seja boa, e por aí vai…

Muitas plataformas utilizam um sistema de avaliação após cada transação para melhorar a qualidade e punir produtores ruins. Algumas vezes a plataforma já é mais fechada como a Apple que se responsabiliza por testar cada um dos Apps que são publicados lá, e rejeita aplicativos que considera de baixa qualidade.

Não há dúvidas que as plataformas tem grande desafios pela frente, e que ainda há muito o que ser aprendido. Mas talvez o desafio maior está nos negócios de Pipeline que vão ter que se adaptar a esse novo mundo para sobrevier, veja o exemplo da transição de Taxi por Uber, de Locadoras por Netflix, de Hotéis por Airbnb, etc…

Plataformas e MarketPlaces

Aula de Geoffrey Parker sobre Plataformas no MIT

Entrevista com Marshall Van Alstyne no theCUBE

Seu negócio é um Pipeline?

Será que não há uma oportunidade aí para você?

Será que você pode ser a primeira plataforma no seu segmento?

Pense nisso!

Aprenda mais lendo o artigo da HBR.

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