Gestão 3.0 com Jurgen Appelo
Participei na semana passada do curso Gestão 3.0 (Management 3.0) com Jurgen Appelo na Adaptworks. Recomendo muito o treinamento, me trouxe novos questionamentos e muitas boas idéias práticas de coisas para fazer. O conteúdo foi excelente, e a turma foi de altíssimo nível.
Meus agradecimentos a Bluesoft pela oportunidade de participar do treinamento.
Neste post, eu destaco alguns dos pontos que mais me chamaram atenção no treinamento. Se você quiser saber mais sugiro que faça o treinamento com Jurgen ou leia o livro Management 3.0. Fique ligado nos próximos treinamentos, não serão no Brasil, mas quem sabe isso não se torna uma bela oportunidade para você viajar um pouco?
Jurgen é escritor, palestrante, desenvolvedor, empreendedor, ilustrador, gerente e blogger. Foi recentemente CIO na ISM eCompany, uma das maiores organizações de soluções e-Business dos Países Baixos.
Para ilustrar as seis diferentes visões da gestão 3.0 Jurgen criou um monstro chamado Martie, que contém um olho para cada diferente visão.
- Alinhar restrições
- Desenvolver Competências
- Empoderar a equipe
- Crescer a Estrutura
- Melhorar Tudo
- Energizar as Pessoas
As 7 Dimensões dos Projetos de Software
Partindo do Triângulo de Ferro (Custo, Prazo, Escopo). Jurgen sugere 7 dimensões dos projetos de software.
- Pessoas (a partir do custo)
- Funcionalidades (a partir do escopo)
- Qualidade (a partir do escopo)
- Ferramentas (a partir do custo)
- Prazo
- Valor (novo)
- Processo (novo)
Pensamento Sistemico
Um time de desenvolvimento de software é um sistema complexo adaptativo (CAS), porque consiste de partes (pessoas) que formam um sistema (time), e o sistema demonstra comportamento complexo enquanto se adapta a um ambiente em constante mudança.
A gestão deve ser entendida como parte do sistema, ou como parte do ambiente, nesse caso restringindo e dirigindo o sistema, de uma forma ou de outra em um visão maior, a gestão faz parte do sistema, e nunca é um observador independente, porque se a gestão não influencia o time diretamente através de pessoas e relacionamentos, influencia o ambiente e os limites do time. O mesmo pode ser entendido através da física quântica.
Sistemas complexos são complexos porque seus muitos relacionamentos conhecidos ou não, criam um sistema imprevisível.
A complexidade está relacionada a imprevisibilidade, e não há complexidade, que está relacionada a dificuldade de se compreender.
O curso todo apresenta uma abordagem sistemica, Jurgen nos apresentou 10 falácias, que nos levam a enganos diários nas organizações:
- A falácia das metáfora das máquinas.
Não trate a organização como se fosse uma máquina. - A falácia do observador independente.
Você não está fora do sistema. - A falácia do complicado-complexo.
Não confunda complexo e complicado. - A falácia do comportamento linear.
Não assuma que as coisas se comportam de forma linear. - A falácia do reducionismo-holísmo.
A soma das partes é diferente do todo. - A falácia dos desconhecido-desconhecido.
Você não pode cobrir os riscos que não conhece. - A falácia da auto-organização.
A auto-organização é netra, nem boa, nem ruim.
“Qualquer coisa que você não restringir vai se auto-organizar”
Motivação
As pessoas são a parte mais importante do sistema, a gestão deve fazer o possível para mantê-los ativos, criativos e motivados, por isso, Jurgen apresenta com base em diversos estudos científicos que a motivação extrínseca dos bônus e compensas, mesmo que contra-intuitivamente, e ainda sendo uma prática muito utilizada no mercado nos dias atuais, é altamente prejudicial e tóxica para uma organização.
A melhor forma de se ter profissionais motivados é alinhar a meta da organização os valores intrinsecos das pessoas e vice-versa. Por isso estudamos 10 dos principais fatores da motivação intrinseca:
- Competência
- Aceitação
- Curiosidade
- Honra
- Propósito
- Independência
- Ordem
- Poder
- Relacionamento
- Status
Comportamento
B = f (P,E)
O comportamento é um função da personalidade do indivíduo e de seu ambiente.
- Kurt Lewin
Logo, se você não pode mudar a personalidade de alguém, saiba que pode mudar seu comportamento mudando o seu ambiente.
Autoridade e Empoderamento
É possível que empoderar o time distribuindo autoridade, ou seja delegando. Delegar não torna a gestão mais fraca, não é um jogo ganha-perde. É ganha-ganha. Times poderosos fazem seus gerentes ainda mais poderosos.
Para delegar é preciso confiar. Jurgen apresenta 4 diferentes tipos de confiança:
- Você confia nas pessoas.
- As pessoas confiam em você.
- As pessoas confiam umas nas outras.
- Você confia em si mesmo.
- Dizer
- Vender
- Consultar
- Concordar
- Aconselhar
- Investigar
- Delegar
Metas
A auto-organização é neutra. Nem boa, nem ruim, para que possa levar à bons resultados é importante dar um propósito e metas claras as pessoas.
A gestão deve proteger o time de formações ruins e de pessoas que jogam contra o time (ainda que teoricamente façam parte dele). É importante também que a gestão forneça e proteja os recursos compartilhados como Energia, Ambiente, Comida, Orçamentos, etc.
Há 3 tipos de propósito encontrados nas partes de um sistema. O intrínseco (produzir software – comum), o extrínseco (ganhar dinheiro, definido de fora pelo caretaker) e o emergente (se um time campeão – escolhido pela parte do sistema).
- Executável (Actionable)
- Ambiciosa
- Inspiradora
- Mensurável
- Memorável
- Realista
- Relevante
- Simples
- Tangível
- Com Prazo (Time-bound)
Metas devem ser reforçadas frequentemente.
Cuidado com WYMIWYG “What You Measure Is What You Get – O que você mede é o que você obtem” ou como disse Peter Drucker “What gets measured gets managed – O que é medido é gerenciado”.
Jurgen sugere que se meça para diversos stakeholders (funcionário, time, organização, cliente, gestão, fornecedor, comunidade) e nas 7 dimensões dos projetos (tempo, ferramentas, pessoas, valores, funcionalidade, qualidade e processo) criando assim uma matriz.
Jurgen apresentou também 3 regras para bons KPI’s (Key Performance Metric – Meta chave de performance)
- O KPI deve estar relacionado ao propósito dos stakeholders.
- O KPI deve ajudar a melhorar algum aspecto do sistema.
- O KPI é parte do trabalho dos interessados nele.
Estruturando Times
A duas formas básicas de um time se comunicar com outro: diretamente (preferível), ou através de um gestor.
Times podem ser funcionáis (ex: um tipo somente de sysadmins) ou cross-funcionais (um time formado por desenvolvedores, designers e testadores)
Jurgen disse que prefere utilizar títulos de trabalho mais amplos dessa forma a pessoa não fica pressa a fazer um único tipo de trabalho, pensando em qualquer outra atividade como “não faz parte do meu trabalho”.
Comunidades de Prática ou (Community of Practice): É interrante que as pessoas que desenvolvem a mesma atividade possam se reunir regularmente para definir padrões e trocar idéias sobre o trabalho. Por exemplos comunidade dos scrum masters da organização, comunidade dos desenvolvedores, comunidade dos testadores, etc. Muito embora esses profissionais trabalhem em diferentes equipes cross-funcionais na organização.
Gestão da Mudança
- Considere o sistema (PDCA)
- Considere as pessoas (ADKAR)
- Considere as interações (Fearless Change)
- Considere o ambiente (Os Cinco I’s)
O modelo ADKAR
- A – Habilidade (como tornar fácil? como praticar?)
- K – Conhecimento (como contar e ensinar?)
- D – Desejo (como tornar urgente e desejável?)
- A – Consciência (Como comunicar e exemplificar?)
- R – Reforçar (quais os ganhos a curto prazo? o que torna sustentável?)
Os Cinco I’s
- Informação (como tornar visível e fácil de comunicar?)
- Identidade (qual a identidade do grupo? como aplicar peer presure?)
- Incentivos (como incentivar o bom comportamento?)
- Infra-estrutura (barreiras e guias)
- Instituições (quem faz as regras?)
Para saber mais, acompanhe o blog de Jurgen noop.nl
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