No dias 24 e 24 de Abril de 2014, aconteceu em São Paulo, o evento Agile Trends, que novamente foi um evento de alto nível reunindo grandes personalidades da indústria de tecnologia da informação para falar de métodos ágeis, gestão e desenvolvimento de software.

Uma das “trend talks” de grande destaque foi a de Matheus Haddad, que falou sobre o processo de tomada de decisão em equipe, especialmente no contexto de uma organização não-herarquica, essas técnicas podem ser fundamentais para a saúde de uma equipe.

Em sua apresentação Matheus nos mostrou 5 ferramentas diferentes para auxiliar no processo decisório, extraído do blog do palestrante veja a explicação de cada um dos papéis e dessas ferramentas, e acompanhe os slides da apresentação para aprender mais.

Papéis

  • Facilitador: alguém que tem a confiança de todos os envolvidos no processo de decisão. Não se posiciona e nem opina sobre as opções disponíveis. Mantém seu foco em facilitar o processo de tomada de decisão e em controlar o tempo em que a decisão precisa ser tomada. Pode organizar reuniões, levantar dados e utilizar ferramentas e técnicas que simplifiquem e ajudem no processo de decisão em equipe.
  • Decisor: membro da equipe responsável pela decisão. Não é necessariamente quem irá decidir, mas será responsável por fazer a decisão acontecer envolvendo uma ou mais pessoas. É uma boa prática ter um decisor para cada decisão que a equipe precisa tomar.
  • Consultor: membro da equipe ou outra pessoa da organização que será consultada durante o processo de decisão. Uma decisão pode envolver um ou mais consultores. Geralmente, são pessoas que possuem conhecimentos e experiências relacionadas ao tema da decisão. São líderes situacionais.
  • Ditador Benevolente: a decisão final fica com uma pessoa, que por sua personalidade, conhecimento e experiência, ganha a confiança da equipe para fazer determinada escolha. Sua decisão deve ser baseada no bem coletivo e não em benefício próprio. No mundo do software livre, é quem decide que rumo o projeto tomará, aceitando e recusando propostas de muitos colaboradores. O Ditador Benevolente exerce um papel de moderador, com função de desempatar eventuais disputas ou simplesmente tomar as decisões mais difíceis.

Ferramentas

  • Sorteio: quando temos que decidir dentre um conjunto de ótimas opções, uma boa ferramenta de decisão é o sorteio. O sorteio é a opção mais democrática de tomada de decisão em equipe, pois ela consagra a igualdade entre todas as opções disponíveis. Se todas as opções são boas, então qualquer uma serve. O sorteio funciona bem para decisões mais simples, onde o risco não é grande.
  • Consenso: a decisão por consenso leva em conta as preocupações de todos e visa resolvê-las antes que a decisão seja tomada (se não existirem preocupações, a decisão torna-se simples ou pode ser determinada por sorteio). Para isso, é preciso incentivar um ambiente em que todos são respeitados, em que todas as contribuições são ouvidas e avaliadas, que permita o acesso igual ao poder, que desenvolva a cooperação e que crie um sentido de responsabilidade individual para as ações do grupo. O consenso é um processo de negociação democrático, mas é difícil de ser alcançado em algumas situações. A participação de um Facilitador é fundamental no processo de decisão por consenso.
  • Votação: quando existem conflitos de interesse que impossibilitem a obtenção do consenso, a decisão pode ser tomada por meio de votação. O consenso é difícil de ser alcançado em questões que envolvem gosto pessoal e valores de formação moral, pois alguns detalhes da discussão podem ser considerados inflexíveis. Perceba, porém, que o processo de votação sempre resultará em vencedores e perdedores. Assim, a votação é uma maneira de se obter a preferência da maioria e fazer com que a decisão seja aceita conforme regras predeterminadas em comum acordo (critérios mínimos que definem as opções que participarão da votação), mesmo que a parte perdedora não concorde com o resultado após o fim da votação.
  • Consentimento: diferente do consenso, significa que as pessoas que não possuem argumentos contrários a decisão tomada podem consentir com a decisão, embora tenham preferência por outra opção. Pode-se dizer que, numa decisão por consentimento, a pessoa deve estar disposta a aceitar a segunda melhor decisão (considerando que a melhor decisão sempre é da própria pessoa). O fundamento da tomada de decisão por consentimento é o argumento. É um processo onde se olha para os argumentos que baseiam a proposta. Não é a quantidade de votos, nem a posição ou importância das pessoas que determinam uma decisão, mas a qualidade dos argumentos. Uma objeção sempre é acompanhada pelos argumentos que a fundamentam. “Não é o argumento do poder, mas o poder do argumento que leva a uma boa decisão”. Um processo de decisão por consentimento pressupõe que todos os participantes estejam voltados para um objetivo comum (inclusive, é isso que diferencia um grupo de pessoas de uma equipe). A presença de objetivos divergentes ou particulares frustra a tomada de decisão por consentimento.
  • Consultação: um Decisor escolhe uma ou mais pessoas para serem consultadas sobre a decisão a ser tomada (consultores). Depois de consultar todas essas pessoas, considerando seus conselhos e opiniões para chegar na melhor opção, o Decisor toma a decisão. O Decisor é responsável por tomar a decisão, mas essa decisão é construída de forma coletiva em conjunto com os consultores. A equipe apóia a decisão, dá feedback e perdoa o Decisor se a decisão se mostrar ruim, avaliando as lições aprendidas (uma retrospectiva do processo de decisão). A consultação permite as pessoas colocarem a maestria em prática, o que favorece a motivação intrínseca.

Acompanhe o blog do Matheus e da Webgoal para aprender mais, e fique ligado aqui também, para mais conteúdo sobre gestão e agilidade.

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