Nos dias 23 e 24 de Outubro participei do evento “Falando em Agile 2008” realizado pela Caelum aqui em São Paulo. Da mesma forma que fiz no “Rails Summit 2008“, tentarei transmitir um pouco da minha visão sobre o evento.
No primeiro dia, Alexandre Magno fez a abertura apresentando a proposta do evento e lançou uma questão para que as pessoas refletissem: “Agile simplesmente está na moda ou veio para ficar”?
Em seqüencia houve o Keynote de David Anderson, uma grande personalidade do mundo ágil envolvido na criação da metodologia Feature Driven Development (FDD), ele foi trazido à São Paulo pela Heptagon para ministrar o treinamento Zen Of Agile. Algumas pessoas já falaram sobre a palestra do David, mas gostaria de comentar alguns pontos que me chamaram atenção.
“Working harden rather than smarter:” David questionou sobre simplesmente trabalhar duro ao invés de trabalhar e forma inteligente, e comentou sobre a fato de as pessoas não terem vida social ou tempo para a família porque trabalham mais (ou muito mais) de 40 horas semanais. Será que isso é mesmo necessário?
“The workers are not the problem, managers are:” Essa é uma frase de Barry Boehm que foi citada para começar uma reflexão sobre diversos problemas de gerenciamento de software, segundo David, um fraco gerenciamento pode encarecer o desenvolvimento de software mais intensamente do que qualquer outro fator. O palestrante disse acreditar que os gerentes do Starbucks são melhores do que a maioria dos gerentes de projetos de desenvolvimento de software: – “Eles simplesmente fazem o que tem que ser feito“.
“Todo trabalhador do conhecimento é um executivo:” No sentido de que tomamos milhares de decisões todos os dias para realizar nosso trabalho, não se trata apenas de seguir uma especificação.
“Software quase sem defeitos é possível:” David afirmou que um software sem defeitos pode até ser impossível, mas quase sem defeitos, com certeza, é possível. Comentou sobre a idéia que vem do Lean de parar tudo para resolver defeitos e falou da importância incentivar e dar condições aos desenvolvedores de fazer tudo de forma apropriada (inclusive dando a eles mais tempo se for necessário).
Alguns outros bons conselhos de David foram:
O Adail Retamal da Heptagon fez uma apresentação sobre Agile Thinking (Pensamento Ágil) onde apresentou diversas técnicas que utiliza como apoio ao desenvolvimento ágil. Adail fez um tributo a filósofos e pensadores que o ajudaram a formar seus principais conceitos: Platão, Aristóteles, Arquimedes, Newton, Professor Júlio César de Melo, Richard Feynman e Eliyahu Moshe Goldratt.
Em seqüencia, foi apresentada a técnica de desenhar Mapas Mentais, que são um tipo de diagrama voltados para a gestão de informações, de conhecimento e de capital intelectual, que pode ser usado para desenvolver documentação de projetos. Foi sugerido que se faça um mapa para projetos que responda as perguntas:
Adail explicou como funciona a UML em cores, e apresentou o conceito de Teoria das Restrições (TOC), e como utilizá-los no desenvolvimento de software para melhoria contínua, identificar problemas, encontrar raízes de problemas, manter o foco no que é importante, e suas solucionar problemas.
A Galera da Sea Tecnologia e o Tenente Souto apresentaram um case de desenvolvimento ágil de software dentro da aeronáutica, comentaram sobre a experiência adquirida na quebra de paradigmas e enfrentando diversas dificuldades culturais.
O Guilherme Chapiewski da Globo.com fez uma apresentação sobre liderança em equipes ágeis, os principais conceitos na minha perspectiva foram os seguintes:
No final no primeiro dia, claro, assim como no Rails Summit, tivemos um Happy Hour no bar opção que fica na região da Avenida Paulista com presença da maioria dos palestrantes e uma galera super bacana.
No segundo dia, o Danilo Bardusco da Globo.com falou sobre como foi a introdução do Scrum na Globo.com, como surgiu a idéia, quais eram as necessidades, quais foram as dificuldades e como eles estão as vencendo. Entre as dificuldades, Danilo citou a quebra do paradigma do Big Design Up Front (BDUF), ter a equipe toda trabalhando em uma historia por vez e enfrentar a resistência de quem acha que está perdendo o poder. Achei interessante a idéia de utilizar personas para ajudar entender as histórias e reuniões periódicas entre disciplinas (arquitetos da informação scrum masters, etc.). Os Slides da apresentação estão disponíveis no blog do Bardusco.
O Daniel Cukier e o Professor Fábio Kon, ambos da Agilcoop e do IME/USP fizeram uma apresentação sobre “Padrões para Introduzir Nova Idéias” com base no livro “Fearless Change” de Linda Rising e Mary Lynn Manns, uma ótima abordagem quem está implementando metodologias ágeis em organizações. Recomendo assistir à esta entrevista (em inglês) e ouvir à este podcast da Agilcoop (em português) para mais informações sobre o assunto.
O Daniel Wildt da Dell em sua palestra contou um pouco sobre sua experiência na implantação de metodologias ágeis em equipes distribuídas, acho que a principal mensagem da palestra foi “Qualidade não é um opção“. Segundo Daniel, os princípios de qualidade da norma ISO 9000 são coerentes com o Manifesto Ágil.
O Antonio Carlos Silveira do Yahoo falou sobre o papel o Product Owner e a Priorizarão do Product Backlog. Os principais recados foram:
Antônio também apresentou as técnicas “Kano Model” e “Benefício Relativo” para estimativa de histórias, mas disse que no fim das contas a o chute é a técnica que impera.
O Phillip Calçado “Shoes” da ThoughtWorks em sua palestra “A Maldição da Fábrica de Software” falou sobre algumas lições que aprendeu em projetos que trabalhou na Austrália.
O Primeiro problema citado foi o de um projeto onde muitas pessoas foram envolvidas e como “gente demais compromete a comunicação” as coisas foram ficando complicadas, até chegar a um ponto em que 4 pessoas desenvolveram a mesma coisa no mesmo dia. Eu acho que este tipo de coisa acontece porque algumas pessoas ainda não entenderam que a idéia de que “o fato de 1 mulher poder ter 1 filho em 9 meses não significa que 9 Mulheres podem ter 1 filho em 1 mês“.
O Segundo problema foi referente a um projeto com um pouco de BDUF em que havia um arquiteto super-herói que dizia aos programadores o que e como desenvolver. Como resultado, a primeira versão do projeto foi entregue em metade do tempo planejado porém, na segunda versão os programadores queriam começar tudo de novo porque era impossível dar manutenção no código que havia sido desenvolvido. Isso aconteceu principalmente porque não houve refactoring.
De acordo com Shoes problemas como os citados acima acontecem porque as pessoas muitas vezes não entendem que tudo em métodos ágeis é um ciclo e que como as práticas estão relacionadas, jogar uma prática fora pode comprometer as outras, por isso experimente antes de jogar fora. Isso não quer dizer que você não possa adaptar métodos ágeis a uma forma mais adequada a sua realidade, mas quer dizer que você deve tomar cuidado e adaptar conscientemente. Saiba o que você está fazendo e pense no que você perde.
Algumas dicas do Shoes:
Além das palestras citadas, houveram outras de excelente qualidade apresentadas por Danilo Sato, Francisco Trindade, Professor José Papo, Alexandre Magno e Robinson Caiado.
Meus parabéns a toda a equipe da Caelum pela realização do evento, a Globo.com, ao Yahoo e a Borland pelo patrocínio, e todas a pessoas que tornaram o “Falando em Agile 2008″ realidade.
Fique Ligado nos próximos eventos: OpenHack 2008 e Lançamento da InfoQ Brasil.
Nos dias 15 e 16 de outubro participei do Rails Summit Latin America 2008. O evento recebeu grandes nomes do desenvolvimento de software e da comunidade Ruby On Rails, o nível técnico foi inquestionável. Os palestrantes apresentaram temas como testes, qualidade, empreendedorismo, desenvolvimento ágil, open source, REST, Git, Escalabidade, e claro, Ruby e Rails.
Auditório Principal
Como o Alexandre Gomes falou “a impressão que me deu é que a grande bandeira desta comunidade não é a tecnologia em si, mas os princípios em que acreditam.” Assino em baixo.
Não entrarei em grandes detalhes sobre as palestras porque tem gente que já falou muito bem, mas registrarei as principais lições que aprendi nestes dois dias de evento.
O Dr. Nic Williams e o Chris Wanstrath falaram bastante sobre a importância de contribuir com projetos Open Source, ser ativo na comunidade e gastar menos tempo com coisas que podem não ser assim tão importantes. Os grandes conselhos foram:
Jay Fields, Danilo Sato e David Chelimsky falaram sobre Testes. Licões aprendidas:
Pra fechar com chave de ouro, Obie Fernandez apresentou um pouco do dia-a-dia da Hashrocket (empresa fundada por ele) e como eles aplicam os quatro princípios do manifesto ágil. Sem sombra de dúvidas, essa foi a palestra que eu mais gostei, por isso comentarei um pouco sobre ela.
Para aplicar o primeiro princípio “Indivíduos e Iterações são mais importantes do que processo e ferramentas” eles fazem o seguinte:
Para aplicar o segundo princípio “Indivíduos e Iterações são mais importantes do que processos e ferramentas“:
Para aplicar o terceiro princípio “Colaboração do Cliente é mais importante do que negociação contratual”:
Para aplicar o terceiro princípio “Responder as mudanças é mais importante do que seguir um plano”:
Para concluir sua apresentação Obie apresenta o princípio mais importante que é o grande segredo do sucesso: “Divirtam-se Juntos“, e mostrou algumas fotos de situações (participando em reuniões de grupos de usuários, passeando de barco, tocando instrumentos musicais, jogando vídeo games, indo à praia, bebendo, pulando na piscina, etc) em que ele e sua equipe estavam se divertindo.
Para maiores informações, visite o site do Obie, o site da Hashrocket, o blog do Obie, e sua galeria do Flickr.
Palestrantes Reunidos no final do Evento
Hugo, Akita, Ricardo e Eu
E como todo bom evento, é claro, tivemos um Happy Hour, dessa vez em um restaurante japonês na Liberdade.

Happy Hour no final do Evento
Meus agradecimentos ao Fábio Akita e à toda a equipe da Locaweb pela realização do evento.
Um grande abraço a todo os bons amigos que participaram do evento!
Quinta e Sexta estaremos no “Falando em Agile 2008“. Espero encontrar você lá!
Nesse ultimo sábado, 12 de outubro, estive no Encontro Ágil que foi realizado pelo pessoal do AgilCoop no IME/USP.
IME
Logo após a abertura do evento, assisti a apresentação “Planejamento Ágil de Projetos” do Dairton Bassi. Ao inicio da apresentação Dairton apresentou um divertido vídeo que conta a realidade do dia-a-dia de alguns desenvolvedores de software.
Alguns dados interessantes sobre projetos de desenvolvimento de software que foram apresentados:
Planejamento Ágil - Dairton
Discutiu-se sobre os extremos de se ter planos demais e não ter plano algum, e sobre níveis de planejamento (estratégico, portifólio, produtos, release, iteração, diário), falou-se sobre estimativas de prazos, grau de incerteza (ao estimar), e problemas de produtividade como a sindrome do estudante (deixar sempre para a ultima hora) e Lei de Parkson (mesmo que a atividade esteja pronta utiliza-se o resto do prazo estimado para coisas desnecessárias), e enfim, foram apresentadas algumas técnicas:
Em seguida houve o Debate “Métodos Ágeis, CMMi, MPS.BR, RUP ou o quê?” dirigido pelo Professor Fábio Kon com participação de Maurício Hermogenes da Paggo, do Rodolfo Ugolini da IBM, do Márcio Tierno da Inmetrics, Dairton e Cézar. A discussão foi muito interessante e os participantes realmente estavam preparados e qualificados para falar do assunto. Tierno recomendou a leitura do artigo “Como a Pixar promove a criatividade coletiva” publicado por Ed Catmull na Havard Business Review, segundo ele tem muito a ver com princípios ágeis.
Debate - Rodolfo, Cézar, Dairton, Tierno e Maurício
Após o almoço assisti a palestra “Dificuldades na Implantação de Métodos Ágeis” do Fábio Kon. Falou-se principalmente sobre problemas de relacionamento e comportamento, dificuldades de resistência por parte de gerentes, arquitetos de software, programadores, testadores, DBAs e Clientes.
Palestra do Fábio Kon
Em seguida, peguei a última parte da apresentação de Métricas de Software do Jorge Diz da Global Code.
Jorge Diz
Ao fim da palestra do Jorge, teve inicio o “Birds of a Feather” (grupos de discussões muito semelhantes as Muvucas que ocorrem no Just Java). Em cada uma das seis salas haviam pessoas discutindo diferentes temas relacionados a desenvolvimento ágil, eu participei da discussão sobre testes.
Depois do Coffe Break assisti a palestra “UOL: Chegando no Ágil com Scrum e práticas de XP” por Paulo Cheque e Priscilla Hansted, nessa palestra nos foi apresentado um pouco da trajetória do UOL na implantação de Scrum, falaram um pouco dos projetos da UOL, as ferramentas que podem ser utilizadas para testes (FIT e Selenium), e práticas de XP.
Palestra do UOL - Cheque e Priscilla
Ainda consegui pegar a última parte do debate “Métodos Ágeis precisam de certificações?” que estava acontecendo na outra sala e após o debate houve um retrospectiva sobre e evento e finalmente o encerramento.
Concluindo, o evento foi muito positivo e proveitoso, foi possível aprender e discutir com grandes personalidades do mundo Ágil além de rever bons amigos e ampliar o networking. Gostaria de dar os parabéns à todo pessoal do IME e da AgilCoop pela organização do evento, a Bluesoft pela iniciativa do patrocínio, e à todos os palestrantes e participantes por colaborarem para que este evento se tornasse realidade.
No meu álbum do picasa têm mais fotos, e o Daniel Cukier também publicou fotos e fez alguns vídeos durante o evento.
PS: Preparem-se para o Rails Submit Latin America, eu e o Júnior da Bluesoft também estaremos lá.